sexta-feira, 1 de maio de 2026

9 - O ERRO DE PENSAR "EU SOU DEUS"

 O aspirante deve ter em mente a unidade de Tudo. Queremos porém gravar em sua mente que não o ensinamos a pensar que ele é o Absoluto. Não ensinamos a fórmula "Eu sou Deus", e julgamos que ela é errônea e conduz a mau caminho, sendo uma perversão dos verdadeiros ensinos originais dos yogues.

Muitos instrutores e estudantes hindus se deixaram seduzir por esta falsa doutrina que, ao lado da concepção de Maya (ilusão do mundo material), reduziu milhões de pessoas a uma condição mental passiva, negativa, retardando assim seu progresso.

Também entre alguns instrutores ocidentais podemos observar os mesmos fatos, onde eles abraçaram esta parte negativa da filosofia oriental. Essas pessoas confundem os aspectos absolutos e relativos do Uno e são compelidas ao expediente desesperador de negar ousadamente a existência do universo e declarar que ele é apenas uma ilusão ou Maya.

Esses discípulos exibem a mais negativa condição mental, que é um resultado natural produzido pela constante absorção de seu evangelho de negação: "todo o universo é um nada". Pode-se notar, porém, que em contraste com a condição mental dos discípulos, os instrutores são geralmente exemplos de força mental positiva, vital, capaz de insuflar suas doutrinas nas mentes dos discípulos, transmitindo-as pela força da vontade despertada.


O instrutor, em regra, tem adquirido um sentido de consciência do Eu e o desenvolve por meio dessa mesma fórmula "Eu sou Deus", por que por meio dessa atitude mental, é capaz de expulsar a influência das envolturas dos princípios mentais inferiores, e a luz do Eu irradia brusca e fortemente, às vezes com tanta veemência que ofusca e queima a mentalidade do discípulo menos adiantado.

Apesar, porém, desse princípio da consciência do Eu, o instrutor é embaraçado por suas falsas concepções intelectuais e sua nebulosa metafísica, é incapaz de transmitir a seus discípulos a consciência do Eu e, em vez de levá-los a compartilhar o esplendor que ele irradia, na realidade atira-os a uma sombra, pela razão de sua doutrina.

Mencionamos isso somente para que o estudante possa evitar essa armadilha de "Eu sou Deus", que ele encontra logo que firmou seus passos no caminho. Esse assunto não seria tão sério se se tratasse simplesmente de uma questão de erro metafísico, porque mais tarde se poderia corrigir. É porém muito mais sério porque esse caminho conduz inevitavelmente ao ensino que tudo é ilusão, ou Maya, e que a vida é um sonho, uma coisa falsa, uma mentira, um pesadelo; que a jornada no caminho é mera ilusão; que tudo é nada, que não há alma, que vós sois deus sem máscara, e que Ele se engana a si mesmo, fazendo crer que Ele é vós; que vós sois Deus, mas que vós vos enganais a vós mesmos para vos divertirdes.

Isto vos mostra onde pode chegar a mente humana, se se deixa seduzir por alguma teoria favorita de metafísica, que a hipnotiza.

Alguns dos modernos instrutores ocidentais dessa filosofia explicam o assunto dizendo que "Deus se mascara nas diferentes formas de vida, inclusive o homem, a fim de obter a experiência que disso resulta, porque apesar de Ele ter infinito conhecimento e sabedoria falta-lhe a experiência que se obtém somente vivendo a vida das formas inferiores, e que por isso Ele desce para obter a necessária experiência".

Podeis imaginar o Absoluto sentindo a necessidade dessa mesquinha experiência e vivendo a vida das formas inferiores para "obter experiência"?

Essa filosofia leva o discípulo a concluir que "tudo é nada", e tudo que precisais fazer é sentar, cruzar as mãos e alegrar-vos com a divina exibição da mágica que estais fazendo para vosso entretenimento; depois, quando o espetáculo acabar, voltar a vosso estado de divindade consciente e recordar-vos com um sorriso da interessante exibição que criastes para vos enganar durante alguns bilhões de séculos.

O discípulo acaba caindo num estado mental de apatia e negatividade, porque sua alma se imerge no estupor de que não pode se elevar por um longo período de tempo. Vós sois um ser real, não o próprio Deus, que é o Absoluto, mas uma de Suas manifestações. Vós sois um filho do Absoluto, possuidor da herança divina, e vossa missão é desenvolver qualidades de que Vosso pai vos dota.

O Eu não é Deus, mas na verdade é uma manifestação de Deus e nele está a verdadeira essência divina.

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