sexta-feira, 17 de abril de 2026

7 - A MENTE INSTINTIVA

 

O homem tem três princípios mentais ou subdivisões da mente que pertencem ao plano inferior do espírito.

Em primeiro lugar, temos a mente instintiva, que é comum ao homem e aos animais inferiores. É o primeiro princípio mental que aparece na escala da evolução. Nas suas fases mais baixas, a consciência é pouco perceptível e mera sensação ocupa seu lugar.

Nos seus graus superiores, a mente instintiva atinge quase a razão ou o intelecto; pode-se dizer que ambos se entrelaçam. A mente instintiva desempenha uma tarefa importante, dirigindo a manutenção da vida animal no corpo, tratando de restaurar suas partes e forças, substituit, mudar, fazer digestão, assimilação, eliminação etc. tudo que pertence às atividades sob o plano da consciência.

Tudo isto, porém, é apenas uma pequena parte da obra da mente instintiva; porque esta parte da mente armazenou todas as experiências que temos feito nós e nossos antepassados no decurso de nossa evolução, das mais baixas formas de vida animal até o presente estado de evolução.

Todos os velhos instintos animais (que foram bons no seu lugar e muito necessários para o bem-estar das formas inferiores da vida) deixaram vestígios nesta parte da mente, os quais podem aparecer à dianteira sob a pressão de certas circunstâncias, ainda que nos pareça que já há muito tempo nos temos libertado deles.


Nesta parte da mente, encontram-se vestígios do velho instinto animal de combater, todas as paixões animais, todo ódio, inveja, ciúme e o resto, tudo isto é nossa herança do passado.

A mente instintiva é também a sede dos hábitos; nela estão armazenados todos os hábitos, pequenos e grandes, de muitas vidas, ou antes, todos aqueles que não foram extintos por hábitos novos, de natureza mais forte. 

A mente instintiva é um interessante armazém, que contém muitas variedades de objetos, dos quais alguns são muito bons em si mesmo, mas outros pertencem à pior sorte de lixo e varreduras.

Essa parte da mente é também a sede dos apetites, paixões, desejos, instintos, sensações, sentimentos e emoções de ordem inferior, que se manifestam nos animais inferiores, no homem primitivo, no bárbaro e no homem atual, com a diferença que existe apenas no grau do domínio e controle que as partes mais elevadas da mente exercem sobre eles.

Há também desejos superiores, aspirações etc. pertencentes à parte superior da mente, mas a natureza animal pertence à mente instintiva. Todos os desejos animais, como a fome e a sede; os desejos sexuais, todas as paixões como o amor físico; o ódio, a inveja, a malícia, o ciúme, a vingança etc. são partes da mente instintiva.

Não estamos condenando estas coisas que pertencem a este plano da mente. Todas elas têm seu lugar; muitas foram necessárias no passado e algumas ainda são necessárias para a continuação da vida física. Todas são boas no seu lugar e para os que se acham no plano particular de desenvolvimento a que essas coisas pertencem. 

Elas só são más quando a gente se deixa dominar por elas ou quando alguém torna a entregar-se a alguma delas depois de tê-las já abandonado, por ser indigna dele no seu desenvolvimento individual.



quinta-feira, 5 de março de 2026

6 - O EU É SEMPRE O MESMO

Esse Eu encontra-se até na mais insignificante forma de consciência. O Eu é sempre o mesmo, mas seu aparente crescimento é o resultado do desenvolvimento do indivíduo. É como uma lâmpada elétrica coberta de muitas capas ou envoltórios de pano. Quando se retira um envoltório após o outro, a luz parece se difundir mais, é mais clara e forte, e apesar disso não mudou, porque a mudança consiste no ato de se retirar os envoltórios que limitavam e obscureciam.

Não podeis realizar o conhecimento do Eu em sua plenitude. Isto é impossível à humanidade atual. Mas queremos ensinar-vos o caminho para chegardes à realização da mais alta concepção do Eu, possível a todos vós no presente grau de desenvolvimento, e o processo que vos leva a retirardes algumas das peças que envolvem vosso Eu, as quais já não vos servem mais no vosso atual estado.

O Eu é eterno e imutável, aquela gota do grande oceano do Espírito, aquela faísca da Chama Sagrada. Seu testemunho é o sentimento do Eu Sou. Ó estudantes, reconheceis o que sois. Acordai e reconhecei o fato de que sois deuses que dormem, que dentro de vós tendes o poder do Universo, que aguarda vossa palavra para se manifestar em ação.


Por longos séculos de pesados trabalhos, chegastes ao ponto em que agora estais e longa ainda será vossa peregrinação ao primeiro grande templo. Mas agora mesmo já estais entrando no estado consciente da evolução espiritual. Vossos olhos não estarão mais fechados, enquanto caminhardes pelo caminho. A partir de agora vereis mais claro, e a cada passo aumentará essa certeza, que é o arrebol da consciência.

Estais em contato com toda a vida, e a separação de vosso Eu em relação ao grande Eu Universal é só aparente e temporária. Quando houverdes compreendido a realidade do Eu, achareis que podereis servir-vos da mente com um poder e um efeito muito maiores, porque reconhecereis que ela é vosso instrumento, próprio e apto para fazer o que ordenais. Sereis capaz de vencer vossos hábitos e vossas emoções, quando for necessário, e elevar-vos-ei da posição de escravo à de senhor.

Haveis de chegar ao pleno conhecimento do fato que vosso Eu tem todo e qualquer esforço mental. Vós ordenais à mente que trabalhe e ela obedece vossa vontade. Vós sois o senhor, o amo, e não o escravo de vossa mente. Vós sois quem manda e não o que é mandado. Sacudi de vós a tirania da mente que vos oprimia por tanto tempo. Sede firme e sereis livre.



5 - VÓS SOIS ESPÍRITO

 Vós - o Eu Real - não sois o corpo. Vós sois Espírito. O Eu é imortal e invisível, não pode ser morto nem atingido. Quando entrardes neste reconhecimento e nesta consciência, sentireis um influxo de força e poder que não se pode descrever.

O medo cairá de vós como um manto rasgado e sentireis que nascestes de novo. A compreensão deste pensamento vos mostrará que as coisas que temeis não podem afetar o Eu real e hão de contentar-se de fazer mal ao corpo físico. E podem ser desviadas do corpo físico por um conhecimento próprio e pela aplicação da vontade.

O aspirante deve compreender plenamente o sentido da palavra Eu antes de poder progredir. Há de conhecer sua existência real, independente do corpo. Há de ver-se invencível e inacessível ao mal, inatingível a qualquer vulneração ou morte. Há de ver-se como um grande centro de consciência - um Sol ao redor do qual gira seu mundo.

E se tiver realizado isso, uma nova força lhe virá. Sentirá uma dignidade calma e um poder, que serão notados por aqueles com quem estiver em contato. Será capaz de olhar à face do mundo, sem vacilar, sem medo, porque conhecerá e sentirá a natureza e o poder do Eu. Sentir-se-á como um centro de poder, um centro de influência. 


Saberá, com toda convicção, que nada pode fazer mal a seu Eu, e que seu Eu real, sua individualidade, permanecerá incólume, ainda que as tempestades da vida se desencadeiem sobre sua personalidade.

Seu Eu resistirá às tempestades da vida da personalidade, como uma rocha que resiste à tormenta. E saberá que quanto mais se adiantar na realização do conhecimento, mais apto será em dominar estas tempestades e ordenar-lhes que cessem.

O Eu é eterno. Passa por fogo, ar e água, ileso e sem impedimento. A espada e a lança não podem matá-lo nem feri-lo. O Eu não pode morrer. As provações da vida física são para ele meros sonhos. Permanecendo seguro no conhecimento do Eu, pode o homem rir-se em vista das piores coisas que o mundo lhe pode oferecer e, estendendo sua mão, pode ordenar-lhes que desapareçam nas trevas donde emergiram. 

Bem-aventurado quem pode dizer Eu com o necessário entendimento. Não percais a coragem se vosso progresso for lento. Não vos aflijais se escorregardes um passo para trás, depois de vos terdes adiantado. Na próxima vez dareis dois passos avante. O êxito e a realização vos são garantidos. Estais no caminho do mestrado.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

4 - INSTRUÇÕES INICIAIS AO ASPIRANTE

 A primeira lição que se dá ao aspirante à iniciação tem por fim despertar a mente à plena realização e consciência da individualidade do Eu. O aspirante deverá aprender a afrouxar seu corpo, acalmar sua mente e meditar sobre o Eu até que se apresente clara e definidamente perante sua consciência.

Retirai-vos a um lugar ou quarto quieto, onde não tenhais de temer interrupção, de maneira que vossa mente se sinta segura e calma. Decerto, não é sempre possível obter a condição ideal; neste caso devereis fazer o melhor que puderdes. Trata-se de ficardes capaz de abstrair-vos, quando for possível, de impressões distraentes, e devereis estar isolado, em comunhão com vosso Eu real.

Sentai-vos numa cadeira cômoda ou cama, de maneira que possais relaxar ou afrouxar os músculos e evitar a tensão de vossos nervos. Afastai a atenção de tudo o que se passa ao redor de vós, e deixai todos os músculos caírem em imobilidade, até que um sentimento de perfeita paz, descanso e calma penetre em todas as partículas de vosso ser.

Descansai o corpo e acalmai a alma. A consciência do Eu, tendo sido desenvolvida por meio da meditação, em pouco tempo fica sendo uma fixa propriedade da consciência e não precisa ser produzida por meditação. No tempo da provação, dúvida ou aflição, pode a consciência ser esclarecida por um esforço da vontade, sem entrar na meditação.

O aspirante há de primeiro familiarizar-se com a realidade do Eu, antes que possa chegar a conhecer a verdadeira natureza deste Eu. O aspirante deve entrar no estado de meditação descrito, em seguida concentrar toda sua atenção no seu Eu individual, excluindo todos os pensamentos que se ocupam com o mundo exterior e com outras pessoas. 


Há de formar em sua mente a ideia de si mesmo como sendo uma coisa real, um ser que existe, uma entidade individual, um sol ao redor do qual o mundo exterior gira. Deve-se ver como um centro ao redor do qual gira o mundo inteiro. 

Enquanto o Ego não se reconhecer como sendo um centro de pensamento, influência e poder, não poderá manifestar estas qualidades. Vosso Eu não pode ser destruído, é eterno e irá passando a estados cada vez mais elevados - mas sempre será o mesmo. O Eu é a centelha divina que não pode ser extinta.

Pensai no Eu como sendo independente do corpo. Para isso, ponde-vos no estado de meditação e pensai em vós mesmo como sendo independente do corpo e usando o corpo como vossas vestes e vosso instrumento.

Pensai no corpo como sendo a roupa do Eu, reconhecei que podeis deixar o corpo e, contudo, sempre ser o mesmo Eu. Imaginai que estais fazendo isso, colocando-vos acima do vosso corpo e olhando para ele, que está debaixo. Pensai que o corpo é como uma casca de que podeis sair sem mudança de vossa identidade. 

Pensai que estais governando e controlando o corpo que ocupais e que dele fazeis o melhor uso possível, tornando-o sadio, forte e vigoroso, mas que ele não passa de uma casca ou invólucro de vosso verdadeiro Eu. Pensai que só habitais o corpo e o usais para vossa conveniência, da mesma forma como usais uma casa.

Continuando a meditar, ignorai o corpo totalmente e fixai vosso pensamento no Eu real que começais a sentir que sois vós e achareis que vosso Eu é totalmente distinto do corpo. Podereis dizer agora "meu corpo" com um novo significado.

3 - QUANDO O ASPIRANTE SE TORNA UM INICIADO

 

Quando o aspirante se tornou um iniciado - isto é, quando tem passado do plano puramente mental ao plano espiritual - reconhece que o Eu verdadeiro é algo superior ao corpo e à mente, e que estes são ambos usados como ferramentas e instrumentos pelo Eu. Este saber não se alcança por meio de raciocínio puramente intelectual, ainda que tais esforços da mente sejam muitas vezes necessários para favorecer o desenvolvimento, para o que os Mestres os apliquem.

O saber verdadeiro, entretanto, vem como uma forma especial da consciência. O aspirante chega a perceber o seu Eu real e, quando atinge esta consciência, passa pelo segundo grau de consciência e começa a sentir sua afinidade com o Todo - quando começa a manifestar a expansão do Eu - está no caminho do Mestrado.

É necessário que o aspirante sinta em si o nascer da consciência que desperta, ou a percepção do Eu real. Os estados superiores da consciência virão gradualmente, porque quem entrou uma vez no caminho não pode retroceder. Pode haver pausas na jornada, mas nunca se pode perder realmente o que se obteve uma vez no caminho.


Esta consciência do Eu não é, mesmo nos seus estaddos mais elevados, senão um passo preliminar ao que se chama Iluminação, e que signfica o despertar do iniciado ao vivo conhecimento de sua verdadeira conexão e sua afinidade com o Todo.

Quando o aspirante chegou ao primeiro arrebol da consciência do Eu, torna-se mais fácil compreender os meios de desenvolver a consciência a um grau ainda mais alto, é mais capaz de utilizar as forças latentes em si mesmo, controlar seus próprios estados mentais, manifestar um centro de consciência e influência que irradiará ao mundo externo que procura sempre com esforço tais centros, para girar em redor deles.

O homem há de ser senhor de si mesmo antes que possa exercer influência sobre seu ambiente. O caminho que conduz ao desenvolvimento e ao poder é estreito e árduo; há que se ir passo a passo, e cada aspirante há de dar pessoalmente todos os passos, com seu próprio esforço.

Pode, entretanto, ser e será guiado pelas mãos dos instrutores que antes dele passaram pelo caminho, e que sabem quanto é necessário estender a mão para ajudar o aspirante a passar por lugares ásperos.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

2 - A PRIMEIRA LIÇÃO

 

A primeira lição que o mestre dá ao aspirante e que o conduz ao primeiro grau é que a Suprema Consciência do Universo, o Absoluto, manifestou o ser que chamamos homem - a mais alta manifestação neste planeta.

O Absoluto manifestou uma infinidade de formas de vida no Universo, com todos os distantes mundos, sóis, planetas etc., formas das quais muitas são desconhecidas no nosso globo e insuscetíveis de serem concebidas pela mente do homem comum.

O homem, antes de querer achar a solução dos segredos do Universo exterior, deve saber governar o universo interior, o reino do Eu. Quando conseguir isto, poderá e deverá ir à procura do saber exterior, como um senhor que quer desvendar os segredos deste saber, e não como um escravo que pede migalhas da mesa da ciência.

O que o aspirante deve conhecer em primeiro lugar é o seu Eu.

O homem, que é a mais alta manifestação do Absoluto em nosso planeta, é um ser maravilhosamente organizado, embora o homem vulgar conheça só muito pouco de sua natureza real.


Em sua constituição física, mental e espiritual, o homem abrange as formas inferiores como também as superiores. Nos seus ossos representa-se a vida mineral, e com efeito existem substâncias minerais nos seus ossos, na construção de seu corpo e seu sangue. A vida física do corpo assemelha-se à da planta.

Muitos desejos e muitas emoções corporais são afins aos instintos dos animais inferiores, e no homem não desenvolvido predominam esses desejos e emoções e oprimem a natureza superior que fica quase despercebida.

Além disso, o homem possui certos característicos mentais que lhe são próprios e não se encontram nos animais inferiores. E ao lado das faculdades mentais, que são comuns a todos os homens, ou melhor, que se podem ver em grau maior ou menor em todos os homens, existem ainda outras latentes e que, uma vez manifestadas, fazem do homem um ser mais elevado que o homem comum.

O desenvolvimento destas faculdades latentes é possível a todos que chegaram ao grau próprio a isso, e o desejo e a fome do estudante ávido de instrução são causados pela pressão dessas faculdades que estão se desenvolvendo e se esforçam por serem reconhecidas pela consciência.


1 - O EU

 

Na Índia, os aspirantes à iniciação em Raja Yoga recebem uma série de lições dos mestres yogues destinadas a esclarecer-lhes a natureza do Eu real e instruí-los na ciência secreta que os torna capazes de desenvolver a consciência e realizar o conhecimento do Eu real que está dentro deles.

Ao aspirante não são dadas novas instruções, senão quando prova que aprendeu as que tem recebido ou, ao menos, que a verdade se fixou em sua consciência, porque os yogues são de opinião que, sem ter consciência de sua real identidade, ele não pode conhecer a fonte de seu poder e não é capaz de sentir em si o poder da Vontade.

O mestre não quer que ele tenha apenas uma concepção intelectual dessa identidade, que sinta sua verdade, que perceba o Eu real, esteja consciente dele em seu cotidiano, e ao redor dessa consciência devem girar todos seus pensamentos e ações.

A alguns aspirantes este conhecimento vem como um raio de luz no momento em que a ele dirigem sua atenção; ao passo que outros precisam seguir um rigoroso curso de treinamento antes de adquirir esse conhecimento consciente.


O mestre ensina que há dois graus deste despertar da consciência do Eu real. O primeiro, que chamam de Consciência do Eu, é a plena consciência de existência real que o aspirante obtém e que o faz saber que ele é uma entidade real possuindo vida independente do corpo. 

O segundo grau, que chamam de Consciência do Eu Sou, é a consciência de nossa identidade com a vida universal, nossa afinidade, nosso contato com toda a vida do Universo. Estes dois graus de consciência serão conhecidos por todos que buscam o Caminho. 

Alguns encontram esses dois graus repentinamente; outros os descobrem gradualmente; alguns chegam a eles por meio dos exercícios de Raja Yoga.


7 - A MENTE INSTINTIVA

  O homem tem três princípios mentais ou subdivisões da mente que pertencem ao plano inferior do espírito. Em primeiro lugar, temos a mente ...