segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A AURA DOS LUGARES E DAS PESSOAS

 A aura é projetada no espaço pelos diferentes princípios do homem, justamente como o é a luz do sol, o calor de uma estufa, o aroma de uma flor etc. Cada uma dessas fontes emite vibrações que chamamos luz, calor e aroma, respectivamente. Em certo sentido, essas emanações são diminutas partículas daquilo que as emite.

Junto com isso, devemos também relembrar que o que produz as emissões pode depois ser retirado, permanecendo no entanto as emanações por mais ou menos tempo. Por exemplo, o fogo de uma estufa pode extinguir-se e contudo o calor permanecerá no aposento por muito tempo depois. 

Assim também os pensamentos podem estar em existência ativa, ainda que tenham sido emitidos anos antes, por alguma pessoa cujo caráter mental pode ter sido modificado, ou mudado inteiramente, ou que pode ter abandonado o corpo há muito tempo. Os lugares e as localidades são frequentemente impregnados pelo pensamento de pessoas que anteriormente viviam nelas e que se mudaram ou morreram há muitos anos.

A mente está continuamente emitindo emanações que podem ser vistas como a aura, estendendo-se a algumas dezenas de centímetros do corpo e que, geralmente, se tornam mais tênues e mais difíceis de perceber, à medida que se distanciam do emissor. Estamos continuamente enviando ondas de pensamento, e essas ondas, depois de cessar a força inicial da projeção, flutuam como nuvens, misturando-se com outras ondas-pensamentos do mesmo caráter, afastando-se frequentemente a distantes regiões da terra.

Algumas das emanações mentais permanecem nas imediações do lugar em que foram emitidas e, a não ser que sejam perturbadas por fortes pensamentos de natureza contrária, permanecerão por muitos anos sofrendo apenas leves modificações.

Outros pensamentos enviados com um propósito definido ou sob um forte desejo, emoção ou paixão, irão rapidamente em direção ao objeto ao qual são dirigidos.

A maioria das pessoas põe muito pouca força em seu pensamento. De fato, para elas o pensar chega a ser um processo quase mecânico, e consequentemente suas ondas-pensamentos recebem muito pouca força de impulsão e não vão longe, a não ser que alguma outra pessoa de pensamento similar as atraia para si.

Quando um pensamento é emitido com força, geralmente leva consigo uma certa quantidade de prana (energia) que lhe dá um poder e força adicional e frequentemente produz surpreendentess efeitos. O prana praticamente o vitaliza em alguns casos e faz dele quase uma força vivente. Por isso pensamentos são como que coisas reais.

Enquanto em regra geral o poder do pensamento de uma certa classe depende da energia com que foi projetado, há outro elemento de força que habilita os pensamentos a manifestarem poder. Aludimos à tendência do pensamento para atrair a si pensamentos de natureza similar e, deste modo, combinar força.


Não somente um determinado pensamento tende a atrair para o pensador o pensamento correspondente da atmosfera mental dentro do campo de atração, mas também têm os pensamentos uma tendência para reunirem-se, misturarem-se e combinarem-se.

O termo médio da atmosfera mental de uma comunidade é o resultado da composição dos pensamentos das pessoas que compõem essa comunidade. Os lugares, da mesma forma que as pessoas, têm suas peculiaridades, suas características, seus pontos fortes e fracos, sua atmosfera predominante.

Este fato é evidente para todos os que pensarem sobre ele, porém a questão é geralmente descartada, sem tentar explicação. Deve-se todavia ter em conta que o lugar não é uma entidade, e que essas características não têm existência em si próprias, mas devem ter alguma causa ou origem.

O ocultista sabe que essa atmosfera mental de uma aldeia, de um povo, de uma cidade ou de uma nação, é a composição dos pensamentos daqueles que aí residem ou residiam anteriormente. Os estrangeiros que chegam à comunidade percebem a atmosfera mudada que os rodeia e, a não ser que se achem em harmonia com seu próprio caráter mental, sentem-se incomodados e desejam afastar-se daquele lugar.

Se uma pessoa, não compreendendo as leis que operam no mundo do pensamento, permanece longo tempo num lugar, é muito provável que seja influenciada pela atmosfera mental prevalecente e, a seu pesar, uma mudança começa a operar-se nela e a referida pessoa se eleva ou se degrada ao nível do pensamento dominante.

Nos países mais antigos, as características das cidades principais da nação se desenvolvem mais ou menos igualmente, e ainda assim há muitos pontos de diferença que o estrangeiro nota imediatamente quando as visita. Mas nos Estados Unidos, país grande e novo, notam-se diferenças mais marcantes entre as localidades. Isso é verdade não só a respeito das diferentes regiões do país, como também em relação às cidades próximas umas das outras.

O pensador estrangeiro que visita, uma por vez, as principais cidades dos Estados Unidos, será surpreendido pelo espírito de cada ponto, cada um dos quais tem sua própria personalidade e característica, resultantes de certas linhas de pensamento da parte dos primitivos residentes do lugar.

Estes, por sua vez, afetam os recém-chegados que agregam suas emanações mentais à atmosfera da localidade, e assim sucessivamente, de tempo em tempo, até que as várias cidades chegaram a ser muito mais distintas em suas características do que o são muitas nacionalidades diferentes.

O estrangeiro que visite cidades como Boston, Nova York, Filadélfia, Chicago, Denver e São Francisco, notará muito grandes diferenças nas características de cada ponto. Essa diferença não é tão notável quando se fala com os cidadãos individualmene, mas é muito notável quando se abre ao espírito da cidade.

As pessoas falam frequentemente dessas características, chamando-as o ar da localidade, cuja verdadeira explicação é a atmosfera mental da cidade. Essas características podem ser modificadas por um novo contingente de pessoas que se estabeleçam numa cidade. Uns quantos pensadores vigorosos emitirão fortes ondas de pensamento em sua vida diária, que rapidamente darão colorido ao pensamento composto da localidade.

O pensamento de um forte pensador se sobreporá ao pensamento fraco e sem propósito de muitíssimas pessoas que só emitem pensamentos negativos. O positivo é antídoto seguro do negativo. Da mesma forma, o espírito de uma nação é uma composição do espírito de suas diferentes partes.

Se alguém se transfere a uma cidade na qual se manifesta a maior energia, em breve sentirá o efeito do pensamento positivo que o rodeia o qual despertará nele pensamentos similares. Se se transfere a uma comunidade adormecida, morta, suas atividades se amortecerão e geralmente descerão ao nível da povoação.

Naturalmente, o homem ou a mulher que construiu uma forte e positiva personalidade, não será afetado tão facilmente como os de caracteres opostos, e de fato podem até atuar como levedura para a massa; mas em regral geral a maior parte das pessoas são grandemente influenciadas pela atmosfera mental da localidade, na qual permanece a maior parte de seu tempo.

Da mesma forma, os que residem em lugares cheios de comércio ou em certas casas assimilam o pensamento predominante daqueles que os habitam ou habitaram. Alguns lugares são notoriamente azarentos, e ainda que esta condição possa ser mudada pelo homem ou mulher de vontade forte, as pessoas em geral são afetadas por ela.

Algumas casas têm uma atmosfera de alegria, sociabilidade e carinho, enquanto outras são frias e repulsivas. Um lugar de negócios facilmente pode refletir o pensamento predominante daqueles que estão à frente da empresa ou que dirigem os assuntos. Em certas casas de negócio, os patrões inspiram confiança ao freguês, ao passo que em outras os obrigam a manter a carteira fortemente apertadas e a vista aberta sobre os empregados.

Os lugares onde foram cometidos crimes têm amiúde uma atmosfera desagradável que tem por origem os fortes pensamentos emitidos pelos que participaram dos acontecimentos - os do criminoso e os da vítima. A atmosfera de uma prisão é horrorosa para um sensitivo. A atmosfera de um lugar de vício ou de baixas cenas de prazeres animais é sufocante para uma pessoa de elevadas tendências mentais. A atmosfera de um hospital pode influenciar aqueles que o visitam. A atmosfera de uma velha igreja pode produzir na mente do visitante um sentimento de quietude e calma.

A mesma coisa acontece com os indivíduos. Alguns trazem consigo uma atmosfera de contentamento, otimismo ou ânimo, enquanto que outros produzem, num aposento, sentimento de discórdia, desconfiança e mal-estar. Muitos agem como desmancha-prazeres e apagadores de entusiasmo e expansão. 

As  várias ondas de pensamento emitidas pelas pessoas atraem e são atraídas por pensamentos de um caráter análogo. Formam núcleos de pensamentos no espaço astral e, da mesma forma que as nuvens, se reúnem em grupos na atmosfera.


Cada indivíduo atrai para si os pensamentos que correspondem aos produzidos por sua própria mente, e é naturalmente influenciado por sua vez por aqueles pensamentos atraídos. É o caso de agregar combustível ao fogo. Aquele que durante algum tempo cultivar pensamentos de maldade ou ódio, ficará horrorizado com a inundação de pensamentos vis que virão derramar-se em sua mente.

E quanto mais tempo persistir nesse estado mental, piores serão os pensamentos que adquirirá. Faz de si mesmo um centro para os pensamentos dessa classe. E se persiste nesse estado até que chegue a formar nele costume, atrairá para si circunstâncias e condições que lhe darão oportunidade para manifestar esses pensamentos em ação.

Não somente um estado mental atrai a si pensamentos similares, como conduz o pensador a circunstâncias e condições apropriadas para que possa fazer uso dos pensamentos e das inclinações que esteve cultivando. Se a mente de um homem entreter paixões animais, toda a natureza parecerá conspirar para conduzi-lo à posição na qual possam ser satisfeitas essas paixões.

Por outro lado, aquele que cultivar o hábito de pensar em mais elevados e melhores assuntos, a seu tempo oportuno será atraído a condições em harmonia com seu hábito de pensamento e também atrairá a si outros pensamentos que com facilidade se incorporarão a seus próprios.

Isso é certo, como também é certo que cada pessoa atrairá outras pessoas de pensamentos similares e, por sua vez, será atraída para elas. Em realidade, fazemos nosso próprio círculo de relações e amizades por nossos pensamentos de ontem ou de hoje. Os pensamentos de ontem nos influenciam em maior ou menor extensão, mas os pensamentos de hoje gradualmente suplantarão e expulsarão os velhos pensamentos do passado, se nós quisermos que tal coisa aconteça.



quarta-feira, 6 de maio de 2026

12 - COMO APROFUNDAR A CONSCIÊNCIA DO EU

 

O mestres yogues ensinam que há dois graus do despertar da consciência do Eu real. O primeiro, que chamam Consciência do Eu, é a plena consciência da existência real, que o aspirante obtém e que o faz saber que ele é uma entidade real possuindo vida independente do corpo, vida que não desaparece quando o corpo cai vítima de destruição; vida real, verdadeira.

O segundo grau, que chamam Consciência do Eu Sou, é a consciência de nossa identidade com a vida universal, nossa afinidade, nosso contato com toda a vida, manifestada ou não.

O que o aspirante deve conhecer em primeiro lugar é seu Eu. Há de ser capaz de distinguir entre o Eu e o não-Eu. Esta é a primeira tarefa que espera o aspirante. Aquilo que é o Eu real do homem é a centelha divina, emitida pela chama sagrada.

O Eu real dorme na mente do selvagem. Depois quando ele se desenvolve, a centelha começa a irradiar sua luz. Em vós, ó aspirante, ela se esforça por penetrar os invólucros materiais.

O Eu verdadeiro é algo superior ao corpo e à mente. Estes são ambos usados como ferramentas e instrumentos pelo Eu. Quando o aspirante chegou ao limiar da consciência do Eu, torna-se mais fácil compreender os meios de desenvolver a consciência a um grau ainda mais alto. É mais capaz de utilizar as forças latentes em si mesmo, controlar seus próprios estados mentais, manifestar um centro de consciência e influência que irradiará ao mundo externo, o qual procura sempre com esforço tais centros, para girar em redor deles.

O homem há de ser senhor de si mesmo antes que possa esperar exercer influência sobre seu ambiente. O caminho que leva ao desenvolvimento e ao poder é estreito e árduo. Deve-se ir passo a passo, e cada aspirante há de dar pessoalmente todos os passos, com seu próprio esforço.

O aspirante há de meditar sobre o Eu e reconhecê-lo, senti-lo, como sendo um centro. Esta é sua primeira tarefa. Ponde-vos em estado de meditação e pensai em vós mesmos - no Eu real - como sendo independente do corpo e usando o corpo como vossas vestes e vosso instrumento.

Pensai no corpo como sendo uma muda de roupa. Reconhecei que podeis deixar o corpo e, contudo, sempre ser o mesmo Eu. Imaginai que estais fazendo-o, colocando-vos acima de vosso corpo e olhando para ele, que está debaixo. Pensai que o corpo é como uma casca de que podeis sair sem mudança da vossa identidade.

O aspirante há de ver-se como um grande centro de consciência, um Sol ao redor do qual gira seu mundo. E quando tiver realizado isso, uma nova força lhe virá. Sentirá uma dignidade calma e um poder, que serão notados por aqueles com quem estiver em contato.


Será capaz de olhar à face do mundo, sem vacilar, sem medo - porque conhecerá e sentirá a natureza e o poder do Eu. Sentir-se-á como um centro de poder, um centro de influência. Saberá, com toda a convicção, que nada pode fazer mal a seu Eu, e que seu Eu real, sua individualidade, permanecerá incólume, ainda que as tempestades da vida se desencadeiem sobre sua personalidade.

Não percais a coragem se vosso progresso for lento. Não vos aflijais se escorregardes um passo para trás, depois de vos terdes adiantado. Na próxima vez dareis dois passos avante.

EXERCÍCIO DE MEDITAÇÃO

Colocai-vos em uma posição cômoda e o mais longe possível de influências externas que vos possam interromper ou distrair. Relaxai todos os músculos, cuidando que todos os nervos fiquem sem tensão, até que obtenhais um perfeito estado de tranquilidade. Não façais esforço violento para dominar a mente, mas antes deixai-a vagar um pouco, até que seus esforços se achem exaustos.

Quando a mente estiver em calma, fixai o pensamento no mantra Eu Sou. Imaginai o Eu como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real. Concentre-se e medite sobre a afirmação "Eu Sou", concentrando a ideia no simples ser ou existência simbolizados pelas palavras Eu Sou. Não "eu sou isto" ou "eu sou aquilo", mas simplesmente Eu Sou.

Este exercício focalizará a atenção no verdadeiro centro do ser que está em vós mesmos e juntará todas as energias mentais que, aliás, se dispersariam pelos objetos exteriores.

Como resultado tereis uma sensação de paz, força e poder. Esta afirmação e a ideia que está atrás dela são a mais poderosa e a mais forte de todas as afirmações que se possa fazer, porque concerne ao Ser Real, e dirige o pensamento a esta verdade.

A princípio deixai a mente se demorar sobre a palavra Eu, e depois fazei-a passar à palavra Sou, que significa a realidade e o ser. Em seguida combinai ambos estes significados e o resultado será uma fortíssima focalização do pensamento no interior e uma potentíssima afirmação do ser.

Repita várias vezes este mantra até sentir que a mente está se interiorizando.


segunda-feira, 4 de maio de 2026

11 - A RAJA YOGA E O DOMÍNIO SOBRE A MENTE

 

A correta atitude do aspirante sempre deve ser: sou positivo em relação à mente, energia e matéria, e domino-as (ou controlo-as). Sou receptivo só para o Absoluto, que é o centro do Ser, e Eu sou desse Ser. E enquanto afirmo o meu domínio sobre a mente, energia e matéria, e exerço sobre elas a minha vontade, reconheço minha subordinação ao Absoluto, e com gosto abro minha alma ao influxo da vontade divina participando de seu poder, força e sabedoria.

Vivemos muito inclinados a pensar em nossa mente como nós mesmos, apesar do fato de o Eu ser superior aos estados mentais. A influência do hábito do pensamento é, todavia, tão forte que alguns de nós precisarão tempo considerável para realizar o conhecimento de que a mente é algo de que nos servimos, e não nós mesmos.

Haveis, porém, de procurar com perseverança esta clareza de conhecimento, porque vosso domínio sobre a mente e a possibilidade de dominá-la dependem de vosso reconhecimento da verdade de que sois o senhor dela.

Vede pois que o conhecimento traz o domínio, e o domínio traz resultados. Esta verdade forma a base da ciência da Raja Yoga. A filosofia yogue ensina que a mente não é o Eu, mas que é a coisa pela qual e por meio da qual o Eu pensa.

Há um saber mais alto que está encerrado na parte mais íntima do Eu e este saber transcende toda informação que se possa receber do mundo exterior. A Raja Yoga ensina que é necessário conquistar primeiro o mundo interno, antes de poder atacar o mundo externo.


Ela ensina que o Eu se manifesta em vontade, e que esta vontade pode ser empregada para se servir da mente de seu possuidor, guiá-la, governá-la e dirigi-la, da mesma maneira como o mundo físico.

Raja Yoga tende a limpar a mente de todo entulho e de todos os obstáculos, conservando-a limpa, clara e sã. A concentração e o poder da vontade são os meios pelos quais os yogues manejam e dirigem suas mentes vigorosas e sãs, dominando o mundo exterior e agindo positivamente sobre a energia e a matéria.

Os yogues não só dominam a mente instintiva, rejeitando-lhe as qualidades inferiores e aproveitando-as em outras partes, como também desenvolvem e alargam o campo de seu intelecto, obtendo dele admiráveis resultados.

Os yogues dominam até a mente espiritual, desenvolvem-na e transmitem ao campo da consciência alguns dos maravilhosos segredos que se acham em sua área. E compreendem a solução de muitos enigmas do universo. 

A Raja Yoga desenvolve e põe em ação as forças latentes que são inerentes à constituição humana. Dos que estão muito adiantadoss nesta ciência, afirma-se que obtiveram um grau tão alto de poder e domínio sobre as forças da natureza, que são quase como deuses em comparação com o homem comum.


sábado, 2 de maio de 2026

10 - O AUMENTO GRADUAL DA CONSCIÊNCIA DO EU

 

A razão por que desejamos desenvolver este sentido da realidade do Eu e a expansão do Eu é que por este meio podeis afirmar vosso domínio sobre a matéria, energia e mente. 

Para poderdes sentar-vos sobre vosso trono como um rei, haveis de realizar primeiro o conhecimento consciente de que sois a realidade neste mundo de aparências. Haveis de ter claro conhecimento de que vós - vosso verdadeiro Eu - não somente sois existente e real, mas que estais em contato com todo e qualquer outro ser real, e que as raízes de vosso ser se afirmam no Absoluto mesmo.

Haveis de chegar ao perfeito conhecimento de que não sois um átomo separado, isolado e fixado num estreito espaço, mas que sois um centro de consciência no grande Todo da realidade, e que o universo dos universos é vossa pátria e vossa casa paterna, que vosso centro de consciência se pode mover a um ponto que dista trilhões de quilômetros da Terra (e esta distância é como nada no espaço) e, contudo, vós - a alma desperta -  estareis igualmente em casa lá como aqui, e que enquanto estais aqui, vossa influência se estende ao longe no espaço.

Vosso verdadeiro estado, que vos será revelado gradualmente, através dos séculos, é tão grande e elevado, que vossa mente no atual estado de desenvolvimento não pode compreender nem o menor reflexo daquela glória.


Desejamos que experimenteis formar ao menos uma fraca ideia de vosso real estado de ser, para que possais dominar os princípios inferiores pela força de vossa vontade despertada, que depende de vosso grau de consciência do Eu real.

À medida que o homem cresce em compreensão e consciência do Eu real, aumenta sua capacidade de usar a própria vontade, que é o atributo do Eu real. 

É bom que este grande conhecimento perfeito do Eu real traga consigo o amor e a benevolência a toda vida, porque se assim não fosse poderia a vontade despertada do homem que chegou ao conhecimento de seu ser real ser usada para fazer grande mal aos homens que não se adiantaram tanto.

O poder nascente, porém, traz consigo um aumento de amor e benevolência, e quanto mais alto a alma sobe, tanto mais é repleta de ideais mais elevados e tanto mais sacode de si os baixos atributos animais.

É verdade que algumas almas que estão chegando à consciência de sua natureza real, sem compreender o que significa tudo isso, podem cometer o erro de usar a vontade despertada para fins egoístas, como se pode ver nos casos dos magos negros de que se fala nos escritos ocultistas, como também nos casos de caracteres bem conhecidos na história e na vida moderna, que manifestam uma vontade enorme, fazendo dela mau uso.

Todas essas classes de pessoas de grande vontade chegaram cegamente à consciência (ou parcial consciência) da sua natureza real, mas falta-lhes a influência restrita  dos ensinos superiores. 

Porém o mau uso da vontade traz sofrimento e inquietações à pessoa que assim abusou da própria força e que finalmente é compelida ao reto caminho.

Não esperamos que nossos estudantes compreendam plenamente esta ideia da expansão do Eu. Até a mais alta concepção desta ideia é apenas uma compreensão parcial. Enquanto, porém, não obtiverdes um vislumbre da consciência, não podereis progredir no caminho da Raja Yoga.

É necessário que compreendais o que sois, antes que possais usar o poder que em vós está dormindo. O caminho é longo e em muitos lugares é áspero; os pés podem cansar-se, porém a recompensa é grande, e há lugares no caminho onde se pode descansar.

Não percais a coragem se vosso progresso for lento, porque a alma deve se desenvolver naturalmente, como faz a flor, sem precipitação, sem ser forçada.

E não vos assusteis nem espanteis se, ocasionalmente, obtiverdes uma visão momentânea de vosso Eu real. Como diz Mabel Collins, em suas notas na obra A Luz no Caminho, "ter visto tua alma em sua flor é ter obtido uma visão momentânea, em si mesmo, da transfiguração que te converterá finalmente em mais que um homem; reconhecer é levar a termo a grande empresa de contemplar a luz resplandescente, sem baixar os olhos e sem retroceder, tomado de espanto, como ante um fantasma horrível. Isto acontece a alguns, e assim perdem a vitória no momento preciso de alcançá-la".

A Paz esteja convosco.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

9 - O ERRO DE PENSAR "EU SOU DEUS"

 O aspirante deve ter em mente a unidade de Tudo. Queremos porém gravar em sua mente que não o ensinamos a pensar que ele é o Absoluto. Não ensinamos a fórmula "Eu sou Deus", e julgamos que ela é errônea e conduz a mau caminho, sendo uma perversão dos verdadeiros ensinos originais dos yogues.

Muitos instrutores e estudantes hindus se deixaram seduzir por esta falsa doutrina que, ao lado da concepção de Maya (ilusão do mundo material), reduziu milhões de pessoas a uma condição mental passiva, negativa, retardando assim seu progresso.

Também entre alguns instrutores ocidentais podemos observar os mesmos fatos, onde eles abraçaram esta parte negativa da filosofia oriental. Essas pessoas confundem os aspectos absolutos e relativos do Uno e são compelidas ao expediente desesperador de negar ousadamente a existência do universo e declarar que ele é apenas uma ilusão ou Maya.

Esses discípulos exibem a mais negativa condição mental, que é um resultado natural produzido pela constante absorção de seu evangelho de negação: "todo o universo é um nada". Pode-se notar, porém, que em contraste com a condição mental dos discípulos, os instrutores são geralmente exemplos de força mental positiva, vital, capaz de insuflar suas doutrinas nas mentes dos discípulos, transmitindo-as pela força da vontade despertada.


O instrutor, em regra, tem adquirido um sentido de consciência do Eu e o desenvolve por meio dessa mesma fórmula "Eu sou Deus", por que por meio dessa atitude mental, é capaz de expulsar a influência das envolturas dos princípios mentais inferiores, e a luz do Eu irradia brusca e fortemente, às vezes com tanta veemência que ofusca e queima a mentalidade do discípulo menos adiantado.

Apesar, porém, desse princípio da consciência do Eu, o instrutor é embaraçado por suas falsas concepções intelectuais e sua nebulosa metafísica, é incapaz de transmitir a seus discípulos a consciência do Eu e, em vez de levá-los a compartilhar o esplendor que ele irradia, na realidade atira-os a uma sombra, pela razão de sua doutrina.

Mencionamos isso somente para que o estudante possa evitar essa armadilha de "Eu sou Deus", que ele encontra logo que firmou seus passos no caminho. Esse assunto não seria tão sério se se tratasse simplesmente de uma questão de erro metafísico, porque mais tarde se poderia corrigir. É porém muito mais sério porque esse caminho conduz inevitavelmente ao ensino que tudo é ilusão, ou Maya, e que a vida é um sonho, uma coisa falsa, uma mentira, um pesadelo; que a jornada no caminho é mera ilusão; que tudo é nada, que não há alma, que vós sois deus sem máscara, e que Ele se engana a si mesmo, fazendo crer que Ele é vós; que vós sois Deus, mas que vós vos enganais a vós mesmos para vos divertirdes.

Isto vos mostra onde pode chegar a mente humana, se se deixa seduzir por alguma teoria favorita de metafísica, que a hipnotiza.

Alguns dos modernos instrutores ocidentais dessa filosofia explicam o assunto dizendo que "Deus se mascara nas diferentes formas de vida, inclusive o homem, a fim de obter a experiência que disso resulta, porque apesar de Ele ter infinito conhecimento e sabedoria falta-lhe a experiência que se obtém somente vivendo a vida das formas inferiores, e que por isso Ele desce para obter a necessária experiência".

Podeis imaginar o Absoluto sentindo a necessidade dessa mesquinha experiência e vivendo a vida das formas inferiores para "obter experiência"?

Essa filosofia leva o discípulo a concluir que "tudo é nada", e tudo que precisais fazer é sentar, cruzar as mãos e alegrar-vos com a divina exibição da mágica que estais fazendo para vosso entretenimento; depois, quando o espetáculo acabar, voltar a vosso estado de divindade consciente e recordar-vos com um sorriso da interessante exibição que criastes para vos enganar durante alguns bilhões de séculos.

O discípulo acaba caindo num estado mental de apatia e negatividade, porque sua alma se imerge no estupor de que não pode se elevar por um longo período de tempo. Vós sois um ser real, não o próprio Deus, que é o Absoluto, mas uma de Suas manifestações. Vós sois um filho do Absoluto, possuidor da herança divina, e vossa missão é desenvolver qualidades de que Vosso pai vos dota.

O Eu não é Deus, mas na verdade é uma manifestação de Deus e nele está a verdadeira essência divina.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

8 - O INTELECTO E A MENTE ESPIRITUAL

 O intelecto é aquela parte da mente de que nos servimos para raciocinar, analisar, pensar... Dela vos servis, mas ela não é vós mesmo, igualmente como não foi a mente instintiva. Podeis fazer a separação, se pensardes só um instante.

O terceiro e mais alto princípio mental é a mente espiritual, aquela parte da mente que é quase desconhecida à maioria da humanidade, a qual porém se desenvolve na consciência de todos os que leem esta lição, porque o fato de que o assunto desta lição vos atrai é uma prova de que esta parte  da vossa natureza mental está se desenvolvendo na consciência.

Essa região da mente é a fonte daquilo que se chama gênio, inspiração, espiritualidade, e de tudo aquilo que consideramos como o mais alto de nosso depósito mental.


Todas as grandes ideias e pensamentos elevados fluem ao campo da consciência emanando dessa parte da mente. Toda a grande evolução da raça provém daqui. Todas as mais altas ideias mentais que vieram ao homem na sua jornada evolucionária ascendente, que tem por fim ações nobres, verdadeiro sentimento religioso, afabilidade, humanidade, justiça, amor altruísta, graça, simpatia etc. vieram-lhe através de sua mente espiritual, que se desenvolve pouco a pouco.

Dela lhe vem o amor a Deus e o amor ao próximo. O conhecimento das grandes verdades ocultas lhe vem por este canal. O perfeito conhecimento do Eu há de vos vir por meio da mente espiritual que desenvolve suas ideias até o campo da consciência.

Mas esta grande e maravilhosa parte da mente é apenas um instrumento do Eu. 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

7 - A MENTE INSTINTIVA

 

O homem tem três princípios mentais ou subdivisões da mente que pertencem ao plano inferior do espírito.

Em primeiro lugar, temos a mente instintiva, que é comum ao homem e aos animais inferiores. É o primeiro princípio mental que aparece na escala da evolução. Nas suas fases mais baixas, a consciência é pouco perceptível e mera sensação ocupa seu lugar.

Nos seus graus superiores, a mente instintiva atinge quase a razão ou o intelecto; pode-se dizer que ambos se entrelaçam. A mente instintiva desempenha uma tarefa importante, dirigindo a manutenção da vida animal no corpo, tratando de restaurar suas partes e forças, substituit, mudar, fazer digestão, assimilação, eliminação etc. tudo que pertence às atividades sob o plano da consciência.

Tudo isto, porém, é apenas uma pequena parte da obra da mente instintiva; porque esta parte da mente armazenou todas as experiências que temos feito nós e nossos antepassados no decurso de nossa evolução, das mais baixas formas de vida animal até o presente estado de evolução.

Todos os velhos instintos animais (que foram bons no seu lugar e muito necessários para o bem-estar das formas inferiores da vida) deixaram vestígios nesta parte da mente, os quais podem aparecer à dianteira sob a pressão de certas circunstâncias, ainda que nos pareça que já há muito tempo nos temos libertado deles.


Nesta parte da mente, encontram-se vestígios do velho instinto animal de combater, todas as paixões animais, todo ódio, inveja, ciúme e o resto, tudo isto é nossa herança do passado.

A mente instintiva é também a sede dos hábitos; nela estão armazenados todos os hábitos, pequenos e grandes, de muitas vidas, ou antes, todos aqueles que não foram extintos por hábitos novos, de natureza mais forte. 

A mente instintiva é um interessante armazém, que contém muitas variedades de objetos, dos quais alguns são muito bons em si mesmo, mas outros pertencem à pior sorte de lixo e varreduras.

Essa parte da mente é também a sede dos apetites, paixões, desejos, instintos, sensações, sentimentos e emoções de ordem inferior, que se manifestam nos animais inferiores, no homem primitivo, no bárbaro e no homem atual, com a diferença que existe apenas no grau do domínio e controle que as partes mais elevadas da mente exercem sobre eles.

Há também desejos superiores, aspirações etc. pertencentes à parte superior da mente, mas a natureza animal pertence à mente instintiva. Todos os desejos animais, como a fome e a sede; os desejos sexuais, todas as paixões como o amor físico; o ódio, a inveja, a malícia, o ciúme, a vingança etc. são partes da mente instintiva.

Não estamos condenando estas coisas que pertencem a este plano da mente. Todas elas têm seu lugar; muitas foram necessárias no passado e algumas ainda são necessárias para a continuação da vida física. Todas são boas no seu lugar e para os que se acham no plano particular de desenvolvimento a que essas coisas pertencem. 

Elas só são más quando a gente se deixa dominar por elas ou quando alguém torna a entregar-se a alguma delas depois de tê-las já abandonado, por ser indigna dele no seu desenvolvimento individual.



A AURA DOS LUGARES E DAS PESSOAS

 A aura é projetada no espaço pelos diferentes princípios do homem, justamente como o é a luz do sol, o calor de uma estufa, o aroma de uma ...