quarta-feira, 6 de maio de 2026

12 - COMO APROFUNDAR A CONSCIÊNCIA DO EU

 

O mestres yogues ensinam que há dois graus do despertar da consciência do Eu real. O primeiro, que chamam Consciência do Eu, é a plena consciência da existência real, que o aspirante obtém e que o faz saber que ele é uma entidade real possuindo vida independente do corpo, vida que não desaparece quando o corpo cai vítima de destruição; vida real, verdadeira.

O segundo grau, que chamam Consciência do Eu Sou, é a consciência de nossa identidade com a vida universal, nossa afinidade, nosso contato com toda a vida, manifestada ou não.

O que o aspirante deve conhecer em primeiro lugar é seu Eu. Há de ser capaz de distinguir entre o Eu e o não-Eu. Esta é a primeira tarefa que espera o aspirante. Aquilo que é o Eu real do homem é a centelha divina, emitida pela chama sagrada.

O Eu real dorme na mente do selvagem. Depois quando ele se desenvolve, a centelha começa a irradiar sua luz. Em vós, ó aspirante, ela se esforça por penetrar os invólucros materiais.

O Eu verdadeiro é algo superior ao corpo e à mente. Estes são ambos usados como ferramentas e instrumentos pelo Eu. Quando o aspirante chegou ao limiar da consciência do Eu, torna-se mais fácil compreender os meios de desenvolver a consciência a um grau ainda mais alto. É mais capaz de utilizar as forças latentes em si mesmo, controlar seus próprios estados mentais, manifestar um centro de consciência e influência que irradiará ao mundo externo, o qual procura sempre com esforço tais centros, para girar em redor deles.

O homem há de ser senhor de si mesmo antes que possa esperar exercer influência sobre seu ambiente. O caminho que leva ao desenvolvimento e ao poder é estreito e árduo. Deve-se ir passo a passo, e cada aspirante há de dar pessoalmente todos os passos, com seu próprio esforço.

O aspirante há de meditar sobre o Eu e reconhecê-lo, senti-lo, como sendo um centro. Esta é sua primeira tarefa. Ponde-vos em estado de meditação e pensai em vós mesmos - no Eu real - como sendo independente do corpo e usando o corpo como vossas vestes e vosso instrumento.

Pensai no corpo como sendo uma muda de roupa. Reconhecei que podeis deixar o corpo e, contudo, sempre ser o mesmo Eu. Imaginai que estais fazendo-o, colocando-vos acima de vosso corpo e olhando para ele, que está debaixo. Pensai que o corpo é como uma casca de que podeis sair sem mudança da vossa identidade.

O aspirante há de ver-se como um grande centro de consciência, um Sol ao redor do qual gira seu mundo. E quando tiver realizado isso, uma nova força lhe virá. Sentirá uma dignidade calma e um poder, que serão notados por aqueles com quem estiver em contato.


Será capaz de olhar à face do mundo, sem vacilar, sem medo - porque conhecerá e sentirá a natureza e o poder do Eu. Sentir-se-á como um centro de poder, um centro de influência. Saberá, com toda a convicção, que nada pode fazer mal a seu Eu, e que seu Eu real, sua individualidade, permanecerá incólume, ainda que as tempestades da vida se desencadeiem sobre sua personalidade.

Não percais a coragem se vosso progresso for lento. Não vos aflijais se escorregardes um passo para trás, depois de vos terdes adiantado. Na próxima vez dareis dois passos avante.

EXERCÍCIO DE MEDITAÇÃO

Colocai-vos em uma posição cômoda e o mais longe possível de influências externas que vos possam interromper ou distrair. Relaxai todos os músculos, cuidando que todos os nervos fiquem sem tensão, até que obtenhais um perfeito estado de tranquilidade. Não façais esforço violento para dominar a mente, mas antes deixai-a vagar um pouco, até que seus esforços se achem exaustos.

Quando a mente estiver em calma, fixai o pensamento no mantra Eu Sou. Imaginai o Eu como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real. Concentre-se e medite sobre a afirmação "Eu Sou", concentrando a ideia no simples ser ou existência simbolizados pelas palavras Eu Sou. Não "eu sou isto" ou "eu sou aquilo", mas simplesmente Eu Sou.

Este exercício focalizará a atenção no verdadeiro centro do ser que está em vós mesmos e juntará todas as energias mentais que, aliás, se dispersariam pelos objetos exteriores.

Como resultado tereis uma sensação de paz, força e poder. Esta afirmação e a ideia que está atrás dela são a mais poderosa e a mais forte de todas as afirmações que se possa fazer, porque concerne ao Ser Real, e dirige o pensamento a esta verdade.

A princípio deixai a mente se demorar sobre a palavra Eu, e depois fazei-a passar à palavra Sou, que significa a realidade e o ser. Em seguida combinai ambos estes significados e o resultado será uma fortíssima focalização do pensamento no interior e uma potentíssima afirmação do ser.

Repita várias vezes este mantra até sentir que a mente está se interiorizando.


segunda-feira, 4 de maio de 2026

11 - A RAJA YOGA E O DOMÍNIO SOBRE A MENTE

 

A correta atitude do aspirante sempre deve ser: sou positivo em relação à mente, energia e matéria, e domino-as (ou controlo-as). Sou receptivo só para o Absoluto, que é o centro do Ser, e Eu sou desse Ser. E enquanto afirmo o meu domínio sobre a mente, energia e matéria, e exerço sobre elas a minha vontade, reconheço minha subordinação ao Absoluto, e com gosto abro minha alma ao influxo da vontade divina participando de seu poder, força e sabedoria.

Vivemos muito inclinados a pensar em nossa mente como nós mesmos, apesar do fato de o Eu ser superior aos estados mentais. A influência do hábito do pensamento é, todavia, tão forte que alguns de nós precisarão tempo considerável para realizar o conhecimento de que a mente é algo de que nos servimos, e não nós mesmos.

Haveis, porém, de procurar com perseverança esta clareza de conhecimento, porque vosso domínio sobre a mente e a possibilidade de dominá-la dependem de vosso reconhecimento da verdade de que sois o senhor dela.

Vede pois que o conhecimento traz o domínio, e o domínio traz resultados. Esta verdade forma a base da ciência da Raja Yoga. A filosofia yogue ensina que a mente não é o Eu, mas que é a coisa pela qual e por meio da qual o Eu pensa.

Há um saber mais alto que está encerrado na parte mais íntima do Eu e este saber transcende toda informação que se possa receber do mundo exterior. A Raja Yoga ensina que é necessário conquistar primeiro o mundo interno, antes de poder atacar o mundo externo.


Ela ensina que o Eu se manifesta em vontade, e que esta vontade pode ser empregada para se servir da mente de seu possuidor, guiá-la, governá-la e dirigi-la, da mesma maneira como o mundo físico.

Raja Yoga tende a limpar a mente de todo entulho e de todos os obstáculos, conservando-a limpa, clara e sã. A concentração e o poder da vontade são os meios pelos quais os yogues manejam e dirigem suas mentes vigorosas e sãs, dominando o mundo exterior e agindo positivamente sobre a energia e a matéria.

Os yogues não só dominam a mente instintiva, rejeitando-lhe as qualidades inferiores e aproveitando-as em outras partes, como também desenvolvem e alargam o campo de seu intelecto, obtendo dele admiráveis resultados.

Os yogues dominam até a mente espiritual, desenvolvem-na e transmitem ao campo da consciência alguns dos maravilhosos segredos que se acham em sua área. E compreendem a solução de muitos enigmas do universo. 

A Raja Yoga desenvolve e põe em ação as forças latentes que são inerentes à constituição humana. Dos que estão muito adiantadoss nesta ciência, afirma-se que obtiveram um grau tão alto de poder e domínio sobre as forças da natureza, que são quase como deuses em comparação com o homem comum.


sábado, 2 de maio de 2026

10 - O AUMENTO GRADUAL DA CONSCIÊNCIA DO EU

 

A razão por que desejamos desenvolver este sentido da realidade do Eu e a expansão do Eu é que por este meio podeis afirmar vosso domínio sobre a matéria, energia e mente. 

Para poderdes sentar-vos sobre vosso trono como um rei, haveis de realizar primeiro o conhecimento consciente de que sois a realidade neste mundo de aparências. Haveis de ter claro conhecimento de que vós - vosso verdadeiro Eu - não somente sois existente e real, mas que estais em contato com todo e qualquer outro ser real, e que as raízes de vosso ser se afirmam no Absoluto mesmo.

Haveis de chegar ao perfeito conhecimento de que não sois um átomo separado, isolado e fixado num estreito espaço, mas que sois um centro de consciência no grande Todo da realidade, e que o universo dos universos é vossa pátria e vossa casa paterna, que vosso centro de consciência se pode mover a um ponto que dista trilhões de quilômetros da Terra (e esta distância é como nada no espaço) e, contudo, vós - a alma desperta -  estareis igualmente em casa lá como aqui, e que enquanto estais aqui, vossa influência se estende ao longe no espaço.

Vosso verdadeiro estado, que vos será revelado gradualmente, através dos séculos, é tão grande e elevado, que vossa mente no atual estado de desenvolvimento não pode compreender nem o menor reflexo daquela glória.


Desejamos que experimenteis formar ao menos uma fraca ideia de vosso real estado de ser, para que possais dominar os princípios inferiores pela força de vossa vontade despertada, que depende de vosso grau de consciência do Eu real.

À medida que o homem cresce em compreensão e consciência do Eu real, aumenta sua capacidade de usar a própria vontade, que é o atributo do Eu real. 

É bom que este grande conhecimento perfeito do Eu real traga consigo o amor e a benevolência a toda vida, porque se assim não fosse poderia a vontade despertada do homem que chegou ao conhecimento de seu ser real ser usada para fazer grande mal aos homens que não se adiantaram tanto.

O poder nascente, porém, traz consigo um aumento de amor e benevolência, e quanto mais alto a alma sobe, tanto mais é repleta de ideais mais elevados e tanto mais sacode de si os baixos atributos animais.

É verdade que algumas almas que estão chegando à consciência de sua natureza real, sem compreender o que significa tudo isso, podem cometer o erro de usar a vontade despertada para fins egoístas, como se pode ver nos casos dos magos negros de que se fala nos escritos ocultistas, como também nos casos de caracteres bem conhecidos na história e na vida moderna, que manifestam uma vontade enorme, fazendo dela mau uso.

Todas essas classes de pessoas de grande vontade chegaram cegamente à consciência (ou parcial consciência) da sua natureza real, mas falta-lhes a influência restrita  dos ensinos superiores. 

Porém o mau uso da vontade traz sofrimento e inquietações à pessoa que assim abusou da própria força e que finalmente é compelida ao reto caminho.

Não esperamos que nossos estudantes compreendam plenamente esta ideia da expansão do Eu. Até a mais alta concepção desta ideia é apenas uma compreensão parcial. Enquanto, porém, não obtiverdes um vislumbre da consciência, não podereis progredir no caminho da Raja Yoga.

É necessário que compreendais o que sois, antes que possais usar o poder que em vós está dormindo. O caminho é longo e em muitos lugares é áspero; os pés podem cansar-se, porém a recompensa é grande, e há lugares no caminho onde se pode descansar.

Não percais a coragem se vosso progresso for lento, porque a alma deve se desenvolver naturalmente, como faz a flor, sem precipitação, sem ser forçada.

E não vos assusteis nem espanteis se, ocasionalmente, obtiverdes uma visão momentânea de vosso Eu real. Como diz Mabel Collins, em suas notas na obra A Luz no Caminho, "ter visto tua alma em sua flor é ter obtido uma visão momentânea, em si mesmo, da transfiguração que te converterá finalmente em mais que um homem; reconhecer é levar a termo a grande empresa de contemplar a luz resplandescente, sem baixar os olhos e sem retroceder, tomado de espanto, como ante um fantasma horrível. Isto acontece a alguns, e assim perdem a vitória no momento preciso de alcançá-la".

A Paz esteja convosco.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

9 - O ERRO DE PENSAR "EU SOU DEUS"

 O aspirante deve ter em mente a unidade de Tudo. Queremos porém gravar em sua mente que não o ensinamos a pensar que ele é o Absoluto. Não ensinamos a fórmula "Eu sou Deus", e julgamos que ela é errônea e conduz a mau caminho, sendo uma perversão dos verdadeiros ensinos originais dos yogues.

Muitos instrutores e estudantes hindus se deixaram seduzir por esta falsa doutrina que, ao lado da concepção de Maya (ilusão do mundo material), reduziu milhões de pessoas a uma condição mental passiva, negativa, retardando assim seu progresso.

Também entre alguns instrutores ocidentais podemos observar os mesmos fatos, onde eles abraçaram esta parte negativa da filosofia oriental. Essas pessoas confundem os aspectos absolutos e relativos do Uno e são compelidas ao expediente desesperador de negar ousadamente a existência do universo e declarar que ele é apenas uma ilusão ou Maya.

Esses discípulos exibem a mais negativa condição mental, que é um resultado natural produzido pela constante absorção de seu evangelho de negação: "todo o universo é um nada". Pode-se notar, porém, que em contraste com a condição mental dos discípulos, os instrutores são geralmente exemplos de força mental positiva, vital, capaz de insuflar suas doutrinas nas mentes dos discípulos, transmitindo-as pela força da vontade despertada.


O instrutor, em regra, tem adquirido um sentido de consciência do Eu e o desenvolve por meio dessa mesma fórmula "Eu sou Deus", por que por meio dessa atitude mental, é capaz de expulsar a influência das envolturas dos princípios mentais inferiores, e a luz do Eu irradia brusca e fortemente, às vezes com tanta veemência que ofusca e queima a mentalidade do discípulo menos adiantado.

Apesar, porém, desse princípio da consciência do Eu, o instrutor é embaraçado por suas falsas concepções intelectuais e sua nebulosa metafísica, é incapaz de transmitir a seus discípulos a consciência do Eu e, em vez de levá-los a compartilhar o esplendor que ele irradia, na realidade atira-os a uma sombra, pela razão de sua doutrina.

Mencionamos isso somente para que o estudante possa evitar essa armadilha de "Eu sou Deus", que ele encontra logo que firmou seus passos no caminho. Esse assunto não seria tão sério se se tratasse simplesmente de uma questão de erro metafísico, porque mais tarde se poderia corrigir. É porém muito mais sério porque esse caminho conduz inevitavelmente ao ensino que tudo é ilusão, ou Maya, e que a vida é um sonho, uma coisa falsa, uma mentira, um pesadelo; que a jornada no caminho é mera ilusão; que tudo é nada, que não há alma, que vós sois deus sem máscara, e que Ele se engana a si mesmo, fazendo crer que Ele é vós; que vós sois Deus, mas que vós vos enganais a vós mesmos para vos divertirdes.

Isto vos mostra onde pode chegar a mente humana, se se deixa seduzir por alguma teoria favorita de metafísica, que a hipnotiza.

Alguns dos modernos instrutores ocidentais dessa filosofia explicam o assunto dizendo que "Deus se mascara nas diferentes formas de vida, inclusive o homem, a fim de obter a experiência que disso resulta, porque apesar de Ele ter infinito conhecimento e sabedoria falta-lhe a experiência que se obtém somente vivendo a vida das formas inferiores, e que por isso Ele desce para obter a necessária experiência".

Podeis imaginar o Absoluto sentindo a necessidade dessa mesquinha experiência e vivendo a vida das formas inferiores para "obter experiência"?

Essa filosofia leva o discípulo a concluir que "tudo é nada", e tudo que precisais fazer é sentar, cruzar as mãos e alegrar-vos com a divina exibição da mágica que estais fazendo para vosso entretenimento; depois, quando o espetáculo acabar, voltar a vosso estado de divindade consciente e recordar-vos com um sorriso da interessante exibição que criastes para vos enganar durante alguns bilhões de séculos.

O discípulo acaba caindo num estado mental de apatia e negatividade, porque sua alma se imerge no estupor de que não pode se elevar por um longo período de tempo. Vós sois um ser real, não o próprio Deus, que é o Absoluto, mas uma de Suas manifestações. Vós sois um filho do Absoluto, possuidor da herança divina, e vossa missão é desenvolver qualidades de que Vosso pai vos dota.

O Eu não é Deus, mas na verdade é uma manifestação de Deus e nele está a verdadeira essência divina.

12 - COMO APROFUNDAR A CONSCIÊNCIA DO EU

  O mestres yogues ensinam que há dois graus do despertar da consciência do Eu real. O primeiro, que chamam Consciência do Eu, é a plena con...